Pesquisa da Creditas mostra que acessórios como multimídia e câmera de alta definição impactam no custo do seguro

O custo do seguro de automóveis voltou a subir no Brasil em 2026. Levantamento da Creditas aponta que o preço médio das apólices avançou entre 14% e 16% nos primeiros meses do ano, consolidando uma alta próxima de 15% no período. E há razões claras para isso ter acontecido. A Revista Automotivo conversou com corretores de seguro que comentaram esse aumento no custo que ficou bem mais alto que a inflação de 2025 (4,26% segundo o o IPCA).

Na prática, o valor médio pago do prêmio (valor da apólice) pelo consumidor passou de cerca de R$ 2,3 mil para mais de R$ 2,7 mil, refletindo um cenário de maior risco e aumento nos custos de reparo.

Aumento da criminalidade pressiona preços
Um dos principais fatores para a alta é o aumento da sinistralidade — que inclui roubos, furtos e colisões.
Em estados como o Rio de Janeiro, por exemplo, os roubos de veículos cresceram cerca de 5% no início de 2026, pressionando diretamente o valor do seguro.

Embora em São Paulo os índices tenham apresentado queda ao longo de 2025 (18% segundo a Secretaria de Segurança Publica), o cenário nacional ainda é considerado instável pelas seguradoras, o que mantém o risco elevado no cálculo das apólices.
“Aqui na região metropolitana o índice de roubo e furto caiu mas no Brasil em geral subiu e isso encarece todo o seguro de forma geral”, diz Diego Soares, corretor de seguros. “Um Up! de um segurado que é um carro nacional, de manutenção barata, motorista de idade mais avançada pagou R$ 2.700 na apólice enquanto ano passado foi R$ 2.300”, completa.

Peças mais caras e carros mais tecnológicos
Outro fator relevante é o custo de reparo, que vem aumentando de forma consistente. Com veículos mais conectados e tecnológicos o custo das peças é do reparo subiu consideravelmente.

Segundo especialistas do setor, a inflação de peças e a maior complexidade dos veículos modernos impactam diretamente o seguro. Há cada vez mais carros com sistemas ADAS, sensores e câmeras têm manutenção mais cara; reparos deixaram de ser apenas mecânicos e passaram a envolver eletrônica e além disso franquias e indenizações ficaram mais elevadas

Esse efeito é ainda mais evidente em modelos importados e eletrificados, que utilizam componentes menos disponíveis no mercado nacional. “Hoje uma multimídia cara, sensores, tudo que é eletrônica também encarece o custo do seguro porque em caso de sinistro a seguradora é que vai arcar e o risco de não encontrar a peça de reposição é mais alto, e quanto mais risco mais custo”, explica Júlio César Ferreira, corretor de seguros.

Carros chineses e elétricos entram na equação
A expansão de marcas chinesas e de veículos elétricos também influencia o cenário.
Modelos mais novos, com maior conteúdo tecnológico e menor disponibilidade de peças, elevam o custo médio de reparo — e, consequentemente, o valor do seguro.

Em alguns casos, veículos elétricos podem ter seguro até significativamente mais caro justamente pelo custo elevado de componentes e mão de obra especializada.
Perfil do veículo e região também pesam

O preço do seguro continua altamente sensível a fatores como a região onde o carro circula, índice de roubos do modelo, volume de acidentes e o perfil do motorista. Grandes centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro, concentram os maiores valores devido ao maior risco operacional.
Na prática, o seguro acompanha a transformação do próprio mercado automotivo. Com carros mais caros, conectados e complexos, o custo de proteção tende a subir — especialmente em um cenário de maior exposição a riscos. “É um cálculo de risco como fazem todas as instituições financeiras. Um carro com reparabilidade alta, risco alto de não ter peça de reposição elevando o custo em caso de perda total entre outros fatores aumentam o risco. No caso dos veículos elétricos e híbridos o custo de um motor elétrico e uma bateria – bem alto – vai elevar o custo de um seguro nem tanto pelo roubo mas pelo risco das peças”, explica Soares.

Como reduzir o custo do seguro?
Corretores afirmam que existem formas de reduzir o valor da apólice com cinco dicas essenciais;
Ajuste a franquia; a chamada franquia reduzida aumenta o preço do seguro. Veja se vale a pena usar esse artifício. Quanto mais alta a franquia, mais barato ficará a apólice pois em caso de prejuízo o acionamento do seguro terá parte do custo pago pelo segurado
Evite cobertura desnecessária; veja se facilidades como assistência 24h, guincho ilimitado e carro reserva valem mesmo a pena
Instale bloqueador, rastreador e alarme: esses dispositivos ajudam a reduzir o custo entre 5 e 15%.
Escolha bem o modelo do carro; veículos n produzidos no Brasil tendem a ter maior disponibilidade de peças. Veículos híbridos, elétricos e importados em geral tendem a ter menor disponibilidade, com custo de manutenção mais alto, o que impacta no valor seguro.
Comparar as cotações; assim como ao adquirir qualquer serviço, vale a pena cotar entre três e cinco coberturas de seguro diferentes. É importante avaliar os critérios que levam ao preço final e a cobertura de cada companhia antes de tomar a decisão
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